quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Richard Andrade - Quem sou eu?

Meu nome é Richard Peixoto de Andrade, tenho 14 anos, moro em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. 

Não tenho uma vida tumultuada, mas isso não quer dizem que não seja ativa. Ando de skate, mas não sou profissional; na verdade, só ando por andar. Eu sei que muitas pessoas usam o  ´´ eu só ando por andar``, porque lhes falta habilidade, mas eu uso um Long. Mesmo o meu shape sendo de Street, é perfeitamente igual a um Long. 

Adoro música, principalmente Rock, Heavy Metal, Reggae, MPB, Acústicos e outras do mesmo gênero.Gosto de bandas como Evanescence, Linkin Park, Paramore, Glória, NX Zero, Simple Plan, Guns `n` Roses, entre muitas outras. Gosto muito de sons pesados, letras com palavras de revolução, mas musicas satânicas, como Slipknot, eu odeio e acho que não prescisavam existir.

Tenho um sonho de ser ator. Sei que isso é meio surreal, mas nem tudo na vida é impossível. Também gosto de cantar; recentemente me pediram para fazer algum cover de alguma música (foi a Ana quem pediu), eu ainda não o fiz porque eu não tinha a mínima ideia de qual música, mas agora já sei. Estou pensando em ´´Stop crying your heart out`` do Oasis. Minha voz para cantar é, ou pelo menos era, parecida em termos de agudo com a do vocalista do KOL (Kings of Lion), mas agora está um pouco diferente pois eu ando cantando muito músicas como as do Glória (um tipo de Heavy Metal brasileiro), e minha voz mudou muito por causa disso. Agora consigo cantar ´´gritando``  e não ficar tão rouco, e olha que isso não é fácil, não é qualquer um que tem essa habilidade. Mas eu fui abençoado com ela, consigo engrossar a voz com uma facilidade impressionante também. 

Odeio pessoas hipócritas, pessoas que agem por impulso, fazem coisas sem pensar, porque ações sem raciocínio podem causar o mal do outro, e os outros não devem sofrer pelo erro do mesmo.

Enfim, esse sou eu. Um guri que tem pensamentos loucos, adora filmes sangrentos, como Jogos Mortais. Talvez eu seja um pouco EMO ou Gótico, sim,  mas fazer o quê?  Esse é o meu eu verdadeiro.

Poesia ao ar livre!

Mais um projeto da turma. Declamação do Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa. Sala de aula transferida para o pátio, filmagem de Ana Muniz e participação de toda a turma. Isso é que eu chamo de trabalho em equipe.

Parabéns, pessoal! 

Confiram o resultado:




quinta-feira, 16 de junho de 2011

Mais uma vez...

Na manhã de hoje, novamente, vocês me proporcionaram um momento inesquecível de realização profissional e, até mesmo, pessoal. Perceber a poesia tomando conta de cada um foi uma experiência simplesmente maravilhosa. 

Tenho certeza de que Fernando Pessoa estará sempre na lembrança de vocês, que souberam compreender e interpretar tão bem um poema forte e intenso como o Poema em Linha Reta

Obrigada pelo empenho e pela colaboração de todos. Parabéns, pessoal!

Beijos orgulhosos e ansiosos pelo resultado final do projeto.

AMO vocês.

Prof.Vivian

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Lembrete!

Meus queridos! Não esqueçam: amanhã, terça-feira, começaremos a bagunça de gravação do Poema em Linha Reta.

Leiam, releiam, decorem o quanto puderem do poema.

Se possível, imprimam cada um a sua cópia.

Ana, prepara a música e não esquece a câmera e o violão!

Rezem para fazer sol até quinta-feira.

E, por favor, não faltem!!!!

See you tomorrow, folks!

Prof. Vivian

123 anos de Fernando Pessoa



PASSAGEM DAS HORAS (Álvaro de Campos)


Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.


(...)


Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.


(...)


Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri. 
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos, 
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. 
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.


(...)


Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.


(...)


Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia, 
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus. 
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.


(...)


Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

(...)


Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si próprio pela plena liberalidade de espírito,
E amar as coisas como Deus. (...)



quinta-feira, 9 de junho de 2011

Poema em linha reta - Osmar Prado

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.





Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)